sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

FRAQUEZAS

Eu tento me mostrar forte
E carrego o jornal de domingo com só uma mão
Mostro-me ácida como limão
Mas sou sensível como raras pessoas.
Peso poesia e razão,
Nunca chego a alguma conclusão
Se é melhor que vejam a minha pele
Ou que sintam meu coração.
Sou o que escondo pelo medo do medo,
De sentir acuada,
Por isso destilo veneno azedo
Com receio de me sentir amada.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

insanatúria

Eu tô fugindo pra Marília

lendo Normam Friedman na carroceria da charrete

barrocasexymalandramente-bossapolkamariachi

eu vou te morder porque te amo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ele vivia querendo ser engraçado mas não conseguia.
contava piadas,
tentava imitar,
falar palavrões.

um dia ele foi atropelado,
antes de passar o filme de sua vida na cabeça ele viu um transeunte
(muito provavelmente adepto ao humor negro)
rindo gostosamente de sua pirueta aérea.

Morreu feliz.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sou assim

Sei muito bem, eu me conheço,
Se eu subir, nunca mais desço,
Se parar, eu enlouqueço.

Por isso sigo sem fim,
Por isso sou assim,
Sou a causa e a razão
Da minha própria insegurança.
Nem sei qual dança que pulsa meu coração,
E desconfio que ele não se cansa dessa louca alucinação.

Quem manda em mim,
Não sou eu nem ninguém,
Um corpo louco numa mente insana,
Com ideais malucos e uma fé cigana.
Razões do meu começo, meio e fim.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Batucando Verdades

Peguei meu tamborim
E fui pra rua,
Metralhando minha ode
Cantando a verdade crua,
Cultuando o que não pode.

Catequizando mendigos e bêbados
Com loucura e preguiça praieira
Trazendo a calmaria do sábado
Em plena quarta-feira.

Destruindo concreto, catracas, controles
Trazendo a paz em amar seus amores
Que a rotina cisma em tolir
Toda pureza de gostar do que se têm
Estufar o peito e sorrir.

domingo, 4 de janeiro de 2009

ORQUÍDEAS DESPETALADAS

Sobraram apenas as orquídeas despetaladas
Do jardim de fantasia que havia aqui
Por tantas vezes com sorriso na cara, menti
Mostrei aparente calma, mesmo que desesperada.

Fatalmente, tal qual a chuva quando cessa.
Você não quer que acabe mas não há nada que impeça.
A parar de agir, com sua força dominante
Julgando o seu correto, fazendo seu instante.

Dormindo na paz que ninguém quer
Só o barulho interessa agora
Ninguém te escuta, haja mulher!

O silencio pelos cantos, só há o eco
Digno de quem erra a toda hora
Mas não tem coragem de ir embora.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Borrão

Completamente errada,
Como herança genética
Recebi os piores defeitos dos meus pais
Nunca entendi física ou aritimética
E nem fiz questão de saber mais.

Sempre igual a todo mundo
Perdendo o trem por 1 segundo
E culpando o maquinista,
Sendo o mal profundo,
O óleo na pista.

E o pior, pensando ser diferente
Crendo realmente que sou mais gente
Do que pedintes e políticos
Mais forte que todos os raquíticos
Me mostrando uma completa inconseqüente.

Infame, imatura
Não quero acreditar que a vida é dura
Pelo simples medo de apanhar
(o olho fica roxo antes do safanão)
E é nossa obrigação fingir satisfação
Em dar a outra face e despencar.