quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Carente ao cubo (e mais um pouco)

A solidão me adotou,
me acolheu.
Não fui eu que escolhi a tristeza,
ela me escolheu.
Vítima de meu coração louco,
sou carente ao cubo e mais um pouco
fazendo de qualquer escuro,
um breu.

Exagero nas sensações
num turbilhão de emoções
e minha alma,
que outrora foi calma,
se recusa a dar explicações.

Razões?
Não as tenho faz tempo
desde quando a inconstância
invadiu meu ser
não me resta pensar
mas sim fazer
me confortar com a vida
e viver.

domingo, 26 de outubro de 2008

Futuro Passado

Fazendo parte de um tempo que se passou,
Ou será que ele ainda não foi?
Me perdi entre as datas das lembranças e das vontades.
Sinto vontade de lembrar do futuro,
E logo penso em você,
Na nossa casa que ainda não temos,
E do passado que não vivemos.

O tempo é relativo,
Óbvio que sim,
O que para você é começo,
Para mim pode ser o fim.

Eu não quero esperar até amanhã para ver o que mudou,
Quero o mundo agora,
Com a urgência da luz do raio que invade a casa.
A casa que ainda não temos,
Os beijos que ainda não demos,
Num passado que não passou,
Num futuro que já vivemos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Interior

Asfalto, cana, sotaque retroflexo.
Cana, sotaque, asfalto retroflexo.
Sotaque, asfalto, cana retroflexa.

Vida retroflexa.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Igual ao homem que ficou três horas na escada rolante porque acabou a energia.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O saci

Saltando solto no espaço,
Saci sonha sem cessar.
Sem o menor desembaraço
indecências.

domingo, 19 de outubro de 2008

Descoberta

Eu descobri
que tudo aquilo que me faltava,
era só o que me fartava...

sábado, 18 de outubro de 2008

O Grito

Tudo se suspende,
Nada quer se levantar.
Nada me surpreende,
Tudo parece me matar.

O que ouço, o que falo,
Coisas vãs que vão pelo ralo,
Pelos vãos,
Por frestas que nunca chegam ao coração.

Choros, vozes, palavras que foram mal faladas,
Podem ser melhor do que as que ficaram caladas,
Guardadas e se tornaram amargas
Com o passar do tempo,
Com o arrependimento de não tê-las dito.
E agora, ao invés de me calar,
Eu grito.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sou eu o sexto sentido que não foi sentido,
a eterna reticência ao invés da exclamação
o insistente desagrado sujando toalhas limpas
Inconveniente como os pedregulhos do chão onde você cai
A chuva forte que começa assim que você sai
A inconstância, o previsível
A represa acima do nível
que alaga e incomoda a cidade.
o pernilongo zunindo a noite toda
e que desaparece ao acender a luz.

Sou a dor, sou o puz
sou tudo que odeio nos outros
mas reflete a mim como um espelho

pois afinal, somos todos espelhos dos reflexos alheios.